O novo DNA das operadoras de VoIP

Participei de uma mesa redonda alguns dias atrás, com outros executivos da área de telecom. A mesa foi organizada pelo grupo PlanoEditorial e moderada pelo diretor editorial Wilson Moherdaui. O tema principal foi “O novo mercado de telecom”.
Surgiram alguns pontos extremamente interessantes para o debate sobre o futuro das telecomunicações, principalmente em relação ao mercado brasileiro.

O primeiro ponto digno de nota foi o tom da conversa. Parecia mais um happy hour de época “ponto com” do que um debate de executivos de telecom. Ninguém ficou calado, ninguém teve medo de admitir os problemas atuais e os medos futuros, ninguém economizou os “não concordo” e os “não é assim”. Este ponto é importante não apenas para entender o clima daquele debate específico, mas também para entender o clima do mercado das novas operadoras de telecomunicação como um todo.

Isto nos leva de volta ao tema central do debate: “o novo mercado de telecom”. Na minha opinião, a principal definição deste novo mercado é: um mercado aberto. Tecnologias abertas, softwares abertos e, como demonstrou este debate, empresas abertas ao confronto. A abertura traz sempre vantagens para o cliente final, que hoje tem mais escolhas do que precisa para fazer suas ligações telefônicas. Mas traz também problemas maiores para as empresas fornecedoras, pois as barreiras de entrada e de saida tendem a evaporar mais rapidamente.

Neste novo cenário as operadoras precisam de um novo DNA, focado não apenas no fornecimento dos serviços de telecomunicação em voz a preços concorrenciais, mas também (e principalmente) na fidelização orgânica da base de clientes. E para isto não vale mais o antigo jogo de entregar equipamentos caros em troca de contratos blindados de longo prazo e garantia de tráfego sainte. Ainda mais quando se fala de mercado de PME, onde o volume não é concentrado.

O DNA de que estou falando codifica as informações necessárias para que as novas operadoras possam fidelizar o cliente através da abrangência dos serviços prestados, da facilidade de uso e da velocidade de atendimento. Por isto, quando me foi perguntado se “pode-se viver apenas de VoIP”, a minha resposta foi um “não” sem dúvidas. Talvez possa-se sobreviver durante um tempo, enquanto as economias proporcionadas pelo VoIP ainda são grandes em relação aos preços praticados pelas incumbents, mas este spread é uma aberração do mercado, destinada a sumir no próximo futuro.

As novas operadoras têm que estar preparadas para este momento e agregar mais valor à oferta atual, enquanto ainda existe um colchão financeiro sustentável nas tarifas telefônicas.

Em outras palavras, eu acho que a batalha de preços que estamos combatendo contra as incumbents e entre a gente está desfocando a atenção de muitas operadoras de VoIP do problema muito maior que nos espera no médio e longo prazo: a convergência de serviços e produtos de comunicação em uma única plataforma IP.

E para ganhar a guerra precisa se preparar agora para a batalha final, que será contra as operadoras de celular. A batalha já começou no mercado residencial. O celular é o vilão (ou o heroe, depende do ponto de vista) já em muitas áreas: músicas, fotos, contatos, agenda, banda larga, email, web… e voz! No mundo corporativo isto começa a acontecer agora, mas a oferta das celulares ainda não está invadindo as áreas limítrofas: lan, wan, crm, erp, pabx, etc.

Quanto falta para isto? Isto pode ser o tema do próximo debate.

2 Responses to “O novo DNA das operadoras de VoIP”

  1. […] preços que virão amanhã. É obvio que os preços vão cair e se equiparar aos preços do VoIP e, como já falei, a guerra vai ser decidida em outros campos de […]

  2. […] algum post anterior falamos da necessidade de mudar o DNA das operadoras de VoIP para se preparar para a […]

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